“No princípio, criou Deus os céus e a terra.
E a terra era sem forma e vazia;
e havia trevas sobre a face do abismo.
E o Espírito de Deus movia-se sobre a face das águas.
E disse Deus: Haja luz. E houve luz.”(Génesis 1:1-3)
Tudo começa aqui. Na separação primordial. Na Palavra que ilumina o Abismo.
Esta Luz sempre existiu. É a centelha no vácuo, a vida que vibra no éter.
E foi-nos dito que, embora Ela resplandeça nas trevas, “as trevas não a compreenderam.”
A chave está na palavra.
As trevas não a puderam conter. Não a puderam envolver, abraçar, apagar. A Luz é, por natureza, indomável. O Abismo tenta sufocá-la, mas Ela irrompe.
Este espaço é um exercício de observação desse acto. Vemos como a Luz se recusa a ser aprisionada.
Não procuramos a Luz inteira, pois a sua totalidade não pode ser abraçada. Procuramos os seus Fragmentos.
Apontamos a lente para as Trevas, não para medir a sua vastidão, mas para testemunhar a Luz que ela falha em conter. Cada imagem capturada é um reflexo pálido dessa irrupção. Cada nebulosa, a prova de que o Vazio não venceu. Cada estrela, um número numa equação de liberdade.
Não trazemos respostas.
O infinito não se explica. Decifra-se.
Trazemos apenas as peças que encontramos no caminho. O mapa que desenhamos ao tentar decifrar o padrão. Porque a única forma de verdadeiramente “compreender” a Luz não é tentar envolvê-la.
É ser o espelho que a reflete.
Fragmentos do Espelho
No chão da jornada, só peças se acham,
O mapa é um risco que a mão vai traçar,
Tentando na sombra o Padrão decifrar.Pois Luz não se agarra, não se pode envolver,
A única verdade que a pode acolher,
É ser-se o espelho que a faz resplandecer.Viator
