Fotografia astronómica de campo amplo do aglomerado estelar das Plêiades (M45), exibindo um grupo central de estrelas azuis brilhantes envolto numa intensa e detalhada nebulosidade filamentosa de cor azul-clara, rodeada por inúmeras estrelas de fundo mais pequenas sobre o éter negro profunda.

As Sete Irmãs

Há no céu de inverno um punhado de diamantes que desafia a nossa necessidade de solidão. As Plêiades, suspensas no lombo do Touro, são talvez o aglomerado mais evocado pelas memórias antigas da nossa espécie. Olhar para Messier 45 é sintonizar o espírito com uma canção de embalar que a humanidade canta a si mesma desde que aprendeu a erguer os olhos para o tecto da noite.

A ciência moderna diz-nos, com a sua precisão cirúrgica, que esta névoa azul e fantasmagórica que a lente revela não gerou estas estrelas. Trata-se de um encontro fortuito no vazio. Uma feliz herança do tempo, onde um grupo de jovens e orgulhosas estrelas azuis cruza o seu caminho com uma nuvem de poeira fria e errante.

Não há aqui a violência geradora das forjas de hidrogénio, mas sim um rito de pura iluminação: as estrelas limitam-se a vestir a poeira com o seu reflexo azulado, transformando a opacidade da matéria num manto de seda luminosa.

É uma beleza assente na contingência. A luz não destrói a escuridão; coexiste com ela, usando a própria poeira interestelar como um espelho para espalhar os seus fotões azuis pelo vácuo. Olhamos para filamentos estendidos por anos-luz, uma urdidura cósmica onde o invisível se torna visível apenas porque se deixou tocar pelo brilho certo.

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A Gnose Velada sempre soube que estas estrelas marcam um ponto de viragem na consciência. Na mitologia clássica, elas são as sete filhas de Atlas, condenado a carregar o peso dos céus nos ombros. Elas correm perpetuamente à frente de Órion, o Caçador, numa perseguição intemporal que serve de bússola moral aos navegantes e agricultores desde a aurora dos tempos.

Para os povos antigos, o seu desaparecimento e ressurgimento no horizonte ditavam os ciclos da sementeira e da colheita, a abertura e o fecho dos mares.

M45 ensina-nos a subtileza do reflexo. Nem toda a iluminação exige o fogo ou a consumação da forma. Por vezes, o nosso papel no mundo é idêntico ao destas poeiras frias: não possuímos luz própria, somos densos e opacos, mas se nos deixarmos atravessar pela energia superior correcta, somos capazes de reflectir um azul celestial, iluminando o caminho daqueles que caminham na noite.

Este Fragmento lembra-nos que a beleza mais comovente nasce muitas vezes de encontros temporários. As Sete Irmãs acabarão por abandonar esta nuvem protetora, continuando a sua deriva pela galáxia e deixando a poeira regressar ao seu silêncio escuro. Mas, por agora, o manto permanece estendido no firmamento, um lembrete constante de que até o barro do abismo pode brilhar como um deus se encontrar a Luz que o desperte.


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