Galáxia do Triângulo - Messier 33; M33; NGC598 (30 Nov 2025)

O Terceiro Vértice

O Universo não se constrói sobre linhas rectas. Constrói-se sobre triângulos.

Até agora, olhámos para a Dualidade: a Luz e a Sombra, o Sol e a Lua, Nós e Andrómeda. Mas a Dualidade é, por natureza, instável. É um conflito à espera de resolução, uma tensão que exige movimento. Para que a estrutura se aguente, para que o Cosmos ganhe forma e significado, é preciso o Três.

Este Fragmento é a manifestação celestial desse número sagrado.

Situada na constelação do Triângulo — o Deltoton dos gregos, a forma divina do Delta, a porta da sabedoria — esta galáxia é o terceiro membro da nossa família real, a “Trindade Local”.

Ela é o Grande Observador.

Enquanto a nossa Galáxia e Andrómeda são monstros gravitacionais com corações vorazes (buracos negros supermassivos) que se devoram e atraem mutuamente para uma colisão fatal, o Triângulo mantém-se à distância. É mais pequena, mais subtil, mais… pura.

A lente revela aqui algo extraordinário: Messier 33 (M33) não tem um “bulbo” central violento. Não tem um tirano no meio a ditar a ordem com mão de ferro. É uma espiral livre, aberta, democrática. É ar e fogo a dançar sem medo.


Na Alquimia, se a Via Láctea e Andrómeda representam o Enxofre e o Mercúrio — os opostos activos e voláteis que têm de arder para criar ouro — o Triângulo é o Sal. É o princípio preservador. É a matriz que estabiliza a reacção. Sem ele, o sistema colapsaria no caos antes do tempo.

Olhem para as manchas rosadas espalhadas pelos seus braços espirais. São os seus “jardins”.

Esta galáxia é, proporcionalmente, muito mais fértil que as suas irmãs gigantes. Ela está viva com o nascimento de novas estrelas (como na região NGC 604, um berçário estelar que faria a Nebulosa de Órion parecer uma vela ao lado de uma fogueira). Isto ensina-nos uma chave valiosa: a Vida não prospera na rigidez do poder centralizado, mas na liberdade da periferia.

Ela é a face diáfana do Infinito.

É notoriamente difícil de observar para quem não tem “olhos de ver”. Embora esteja próxima, o seu brilho é difuso, espalhado, fantasmagórico. Ela recusa-se a brilhar com vaidade. Exige um céu escuro, exige pureza, exige que o observador limpe a sua própria visão. Sob a poluição da luz profana, ela desaparece.

O seu destino é ser a testemunha.

Quando o Hieros Gamos (o Casamento Sagrado) entre a Via Láctea e Andrómeda acontecer, quando o céu se rasgar em fogo, o Triângulo estará lá, a orbitar a catástrofe, a guardar a memória do que fomos.

Ela recorda-nos que num universo de forças titânicas em oposição, a posição mais sábia não é a de força bruta. É a do terceiro ponto. Aquele que forma o vértice. Aquele que transforma a linha de conflito numa figura geométrica perfeita.

Ela não é o Rei, nem a Rainha. Ela é o Espírito que paira entre ambos. O número Três cura a ferida do Dois.


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